
À entrada para o recinto, a expectativa era alta, perante um dia esgotado. Red Hot Chili Peppers, The Black Keys e Spoon eram, à partida, os artistas mais esperados do dia. Contudo, e como é nosso apanágio, procuramos conhecer outro tipo de destaques, que o festival habitualmente também apresenta, através de um roteiro pelos palcos Heineken e WTF Clubbing, neste primeiro dia de NOS Alive.
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Os Bombazine foram responsáveis pela abertura do emblemático Palco Heineken, pelas 17:00, dedicado às melhores propostas alternativas da atualidade, graças à conquista do Oeiras Band Sessions, concurso de bandas de garagem parceiro do NOS Alive, desde há algumas edições. Vasco Granate, na voz e guitarra, Manuel Protasio, na guitarra, Filipe Andrade, no baixo, Manuel Figueiredo, nas teclas, e Manuel Granate, na bateria, são os elementos que compõem este grupo, criado em 2020 e tornado oficial em 2022. Recentemente, a banda iniciou o seu percurso discográfico, após o lançamento do EP Grã-Matina, editado em abril deste ano, onde se inclui o single de avanço Tábua Rasa.
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Recebido por apoiantes eufórico, a gritar com insistência Bombazine, Bombazine, Bombazine [...], junto às grades, o grupo apresentou, durante cerca de meia hora, Grã-Matina, na íntegra, com temas como Dias de Azar e Mente Sã a serem bastante aplaudidos pelo público. Na verdade, a sonoridade dos Bombazine tem algo de fresco e combinou, na perfeição, com o final de tarde que se aproximava, no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Os ritmos groove, inspirados no indie pop e funk, traduziram-se em algo dançável e colocaram toda a gente a bater o pé, com relativa facilidade, deixando a banda no final do espetáculo, sob um aplauso coletivo, ainda maior do que o da entrada. Para primeira vez num festival desta dimensão, e num palco com tamanha exposição, a banda esteve à altura, apresentou uma sólida atuação e terá conquistado, com toda a certeza, uma nova legião de fãs, entre os quais nós próprios.
Ali ao lado, após o final do espetáculo dos Bombazine, começamos a ouvir algo diferente, novo e igualmente fresco, no que a sonoridades diz respeito, vindo do WTF Clubbing. Não era nada menos do que Ana Lua Caiano, um dos novos talentos da música portuguesa, que junta tradição e modernidade, através de uma apresentação ao estilo one woman show, com recurso a um bombo, um sintetizador e uma loop station. "Estou muito feliz por estar neste festival incrível, cheio de musicos incríveis", começou por dizer a artista, que iniciou, depois o concerto, com os temas Olha Maria, Que O Sangue Circule, Cheguei Tarde A Ontem e Nem Mal Me Queres, do o seu primeiro EP, Cheguei Tarde A Ontem, de 2022.
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Em Dói-me a Cabeça e o Juízo e Adormeço Sem Dizer Para Onde Vou, do mais recente Se Dançar É Só Depois (2023), contou com o apoio de Fred Ferreira (Orelha Negra e Banda do Mar) na bateria, a quem agradeceu a presença e o apoio nesta jornada musical. Seguiram-se Vou Abaixo, Volto Acima, Sai Da Frente, Vou Passar, Se Dançar É Só Depois e o êxito Mão na mão. A fusão entre elementos de música tradicional portuguesa e a eletrónica contemporânea, criada através de sintetizadores e com o apoio da loop station, resultam em algo único e inovador, sem estigmas ou rótulos. Ana Lua Caiano consegue, de facto, trazer as sonoridades do passado para o presente, entregando ao público um resultado orgânico, feito no momento, com variados loops que vai criando e recriando ao longo da atuação.
Setlist:
Olha Maria
Que O Sangue Circule
Cheguei Tarde A Ontem
Nem Mal Me Queres
Dói-me a Cabeça e o Juízo (com Fred Ferreira)
Adormeço Sem Dizer Para Onde Vou (com Fred Ferreira)
Vou Abaixo, Volto Acima
Sai Da Frente, Vou Passar
Se Dançar É Só Depois
Mão na mão
Os portugueses Club Makumba também subiram ao WTF Clubbing, ao início da noite, para um grande concerto - a banda, de resto, não sabe fazer o contrário. Continua a ser impressionante assistir a uma atuação, que junta Tó Trips, na guitarra, João Doce, na bateria, Gonçalo Prazeres, no saxofone, e Gonçalo Leonardo, no baixo e contrabaixo. Os músicos apresentam um espetáculo livre, espontâneo e capaz de contagiar tudo e todos, com os seus sons tribalistas, que navegam entre o rock, sonoridades do mediterrâneo, ritmos africanos, orientais e jazz. Club Makumba, o disco de estreia, editado no início de 2022, foi o mote para espetáculo, com a apresentação ao vivo dos temas Migratória, Baía das Negras ou Crazy Lizard, que transmitem uma energia contagiante do palco para o público. "Nós somos os Club Makumba e, agora que já aquecemos, tudo é possível", disse, a dado momento, João Doce, com as baquetas em punho.
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O público entregou-se, do mesmo modo, à banda e, juntos, partilharam uma espécie de jam à antiga, neste primeiro dia do NOS Alive'23, com a plateia do palco WTF Clubbing muito bem composta, para receber os Club Makumba. Não há dúvida quanto à qualidade do trabalho que o grupo apresenta em estúdio, mas é em cima do palco que tudo se transforma e o reportório ganha outra dimensão. Como ponto menos positivo, embora totalmente alheio aos músicos, assinalamos o horário do concerto, 19:00. Este grupo, com este disco, neste palco exigia uma slot no alinhamento um pouco mais tardia. Contudo, a performance em nada foi beliscada por esta situação.
Depois de algumas voltas pelo recinto, a sentir a pulsação de diferentes ambientes, e, claro, de uma pequena pausa para jantar, tornou-se quase mandatório o regresso ao WTF Clubbing, por volta das 22:30, para o espetáculo dos, também portugueses, Throes + The Shine. Atraídos por algo híbrido, algures entre a comunhão de kuduro, eletrónica e texturas rock, percebemos, de imediato, que a expectativa era elevada, face ao acumular de festivaleiros na plateia. Banzelo, Balança, e o eurovisivo Movimento, não faltaram num alinhamento preparado para colocar toda a gente a dançar. Mob Dedaldino é para além de vocalista, acompanhado pelos músicos Marco Castro e Igor Domingues, um autêntico performer de serviço. Ele cantou, dançou, saltou, fez mortais e, a dada altura, saltou o gradeamento e juntou-se ao público, para gáudio dos mais entusiastas.
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"É a quarta vez que nós pisamos este palco", recordou, entretanto, Mob, enquanto a adesão dos transeuntes se revelava em crescendo. Quem circulava, naquela altura, pelos arredores do WTF Clubbing sentiu-se, seguramente, cativado pelo momento e viu-se quase obrigado a assistir, nem que fosse por breves instantes, à enorme performance dos Throes + The Shine. A noite já tinha caído e fazia todo o sentido abrir, da melhor maneira e na melhor companhia, a pista de dança improvisada pelos músicos do Porto. Já perto do fim, a banda ainda presentou o público com uma versão de Felicidade, emblemático tema de Hélder Rei do Kuduro, terminando, depois, o espetáculo chamando alguns dos elementos do público ao palco, para, uma vez mais, abanar o esqueleto, na hora da despedida.
Importa salientar que a seleção deste conjunto de destaques não foi intencional, muito menos preparada, mas é a prova viva de que a música portuguesa está bem, recomenda-se e apresenta-se, taco a taco, com artistas internacionais, nos palcos dos principais festivais de música, como é o caso do NOS Alive'23. Efetivamente, este grupo de artistas foi o que nos saltou à vista, das dezenas de propostas programadas, nos diferentes palcos do festival, pela musicalidade, performance e reação do público.
Foto: Ambiente @NOS Alive - © José Fernandes
Galeria: Bombazine @NOS Alive - © Hugo Macedo
Galeria: Ana Lua Caiano @NOS Alive - © Sarahawkkk
Galeria: Club Makumba @NOS Alive - © Sarahawkkk
Galeria: Throes + The Shine @NOS Alive - © Sarahawkkk