SBSR’22: C. Tangana apresentou obra de arte

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C. Tangana era a grande atração do dia. Desde cedo que muitos festivaleiros se acumulavam junto à zona do Palco Super Bock, para assistir de perto à atuação do artista espanhol, que é um autêntico fenómeno, integrada na tour Sin Cantar Ni Afinar. Depois do concerto explosivo da também latina Nathy Peluso, todos os focos estavam agora sobre El Madrileño, como também é conhecido.


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Eram 22h em ponto, quando as enormes cortinas azuis que protegiam o Palco Super Bock dos olhares mais curiosos caíram e se fez ouvir um rufar de tambores. Perante uma sala bem composta, provavelmente com a maior enchente do festival até agora, surgiu C. Tangana, acompanhado de uma orquestra de sopros, cordas e percursão, que surpreendeu tudo e todos - contamos mais de 30 pessoas em palco, entre músicos, bailarinos e figurantes.


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El Madrileño não fez por menos e apresentou, na Altice Arena, uma performance mais teatral do que musical. Centrando em si todas as atenções, o músico integrou um cenário, com um sentido estético de excelência, que representava uma espécie de clube, onde se bebia, conversava, dança e tocava, tornando este num espetáculo quase minimalista, dirigido a cada um dos presentes. Os músicos e figurantes partilharam, nesse platô, momentos genuínos de convívio e de celebração da raíz da tradição espanhola, com os ritmos flamencos que caracterizam a obra do artista, associando-os a rasgos de trap, pop e reggaeton, em temas como Comerte Entera, Ateo ou Demasiadas Mujeres.


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O álbum El Madrileño, que também dá a alcunha ao músico, foi editado em 2021 e, desde então, elevou o artista a uma outra dimensão. Te Olvidaste, Nunca Estoy e Un Veneno foram outras das músicas mais celebradas, a par com Antes de Morirme, do álbum homónio, de 2016, que contou com, aqui, a presença de Lucía Fernanda. Pelo meio de tudo isto, também Bizarre Love Triangle, dos New Order, foi envolvida num verdadeiro triângulo musical com Los Tontos (El Madrileño, 2021) e Alegría de Vivir, de Ray Heredia.


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C. Tangana foi exíminio na performance, para lá de completa, e na partilha generosa com que se apresentou em palco, para um espetáculo em tudo semelhante a uma obra de arte no seu esplendor. O músico foi o anfitrião de um espetáculo sólido, original, identitário e cultural sem precedentes na história recente da música ao vivo no nosso país. Antes da despedida, um banho de champanhe no palco, partilhado, entretanto, por artistas e público, selou a união, ao som de Al Di La, versão cover do italiano Emilio Pericoli.


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Fazer melhor é praticamente impossível. Sem grande oposição, apesar dos bons concertos que já tiveram lugar no Super Bock Super Rock até agora, C. Tangana brindou-nos com a melhor atuação do festival, destacada em todos os sentidos, e também, por motivos óbvios, a mais aplaudida. De 0 a 10, classificamos este espetáculo com 12. Extraordinário!


Setlist:
Still Rapping
Te Olvidaste
Comerte Entera
Ateo (com Lucía Fernanda)
Demasiadas Mujeres
Me Maten (com Antonio Carmona)
Ingobernable
Los Tontos / Bizarre Love Triangle / Alegría de Vivir
Tranquilísimo
Llorando en la Limo
Muriendo de Envidia (com Niño de Elche)
Nunca Estoy
Tú Me Dejaste De Querer (com La Hungara e Niño de Elche)
Antes de Morirme (com Lucía Fernanda)
Cuándo Olvidaré (voz de José Blanco Ruiz)
Skit Flamenco
Un Veneno
Al Di La (Emilio Pericoli cover)


Foto:   C. Tangana @Super Bock Super Rock - © Bárbara Dias

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