
A noite é, hoje, dedicada aos ritmos latinos. Antes do nome maior do cartaz, C. Tangana, subir a palco, a cantora e produtora de origem argentina Nathy Peluso mostrou a sua identidade latina, revelando-se um autêntico animal de palco. Dona de uma energia inesgotável, a artista cantou, dançou e saltou à corda, transpirando sensualidade, nesta estreia em Portugal. "Espero que tenham uma noite maravilhosa", disse, dirigindo-se ao público.
Relacionado: SBSR’22: A profecia de Samuel Úria
Com dois álbuns de estúdio editados, Esmeralda (2017) e Calambre (2020), a sua sonoridade dispersa-se num mar de fusões, navegando entre o hip-hop, o neo-soul, a salsa e o tango, sem se acomodar a um género ou estilo. A artista parece, com isso, querer preservar as liberdades criativa e identitária que a caracterizam. Se em Puro Veneno e Mafiosa Peluso pôs prego a fundo, em Buenos Aires colocou um travão na velocidade da performance, o que em nada beliscou a atuação. Músicas diferentes, pedem, claro, ritmos diferentes. Emergencia e Ateo fizeram regressar os movimentos de dança e a adrenalina intensa da cantora, que depois de utilizar uma rosa numa coreografia, acabou por oferecê-la a um acérrimo fã, na frontline.
Relacionado: SBSR’22: Duo David & Miguel arrebata corações
Nathy Peluso foi mais do que uma agradável surpresa, na programação deste segundo dia do Super Bock Super Rock. É notório que está talhada para outros palcos e será uma questão de tempo até explodir e ter a oportunidade certa. Hoje, soube aproveitar, e de que maneira, a ocasião, tendo, desde o início, o público do seu lado, que agarrou com mãos e dentes até ao fim da atuação. Este foi mais um espetáculo para guardar no baú das melhores memórias da 26ª edição do festival.
Foto: Nathy Peluso @Super Bock Super Rock - © Bruno Poeira