SBSR’23: Autobiografia de Sam The Kid em palco

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Sam The Kid dispensa apresentações. O músico e produtor, nascido Samuel Mira, é, desde há muito, sinónimo do melhor hip-hop em português e um dos mais fortes símbolos que esta cultura gerou entre nós. Natural de Chelas, em Lisboa, cedo se apaixonou pela cultura hip-hop e, ainda na década de 90, começou a criar as suas próprias canções, fruto dessa história de amor pelo rap. Neste segundo dia de Super Bock Super Rock, Sam The Kid foi responsável por abrir o Palco Super Bock e não o fez sozinho. Além de acompanhado pelos Orelha Negra, a sua banda de sempre, onde se incluem Fred Ferreira, Francisco Rebelo, João Gomes e DJ Cruzfader, o rapper teve ao seu lado, também, uma orquestra de 24 elementos, dirigida pelo maestro Pedro Moreira.


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Perante uma plateia ainda em formação - afinal, hoje é sexta-feira e o concerto começou às 17h30 - e sob um sol abrasador, no Meco, o espetáculo começou com a entrada de Sam The Kid em palco, vestido totalmente de branco, ao som de Entretanto, tema do seu primeiro disco, Entre(tanto), lançado em 1999, com a participação de Napoleão Mira, seu pai. A partir de agora, do aclamado Pratica(mente) (2006), revisitou o passado do artista, novamente na companhia do pai, antes de um novo convidado subir a palco, para interpretar um outro tema do mesmo disco. NBC juntou-se a Sam The Kid em Juventude (É mentalidade), deixando, no final, rasgados elogios ao caminho percorrido pelo músico e à sua importância no desenvolvimento e no sucesso de outros artistas, em Portugal. "Este homem mudou as nossas vidas!", disse - as palavras foram corroboradas pelo imenso aplauso do público.


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Tu não sabes trouxe Mundo Segundo ao palco, para mais uma parceria de sucesso, antes de um regresso ao passado. Não percebes e Retrospectiva de um amor profundo, temas de 2001 e 2006, respetivamente, recordaram o percurso de Sam The Kid, demonstrando que, já na altura, as suas rimas e beats representaram algo novo, fresco e, claramente, visionário. Escola da vida, outro old school do músico de Chelas, contou com a participação do rapper Daddy-O-Pop, enquanto Blasph se fez ouvir em Património, tema do projeto VLUDO, que partilha com Sam. Em 16/12/95, ouviram-se os versos ricos em metáforas e referências culturais, sobre o destino e as consequências de determinadas escolhas, refletindo a realidade de muitos jovens à época do seu lançamento (2006).


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Regula também se juntou a esta celebração de Sam The Kid em Solteiro, tema de Mixtape II, editado pelos Orelha Negra, em 2013, e que mergulha nas complexidades e contradições da vida de solteiro, na vida urbana contemporânea. Para o final, o maior êxito do músico fez levantar alguma poeira, na Herdade do Cabeço da Flauta. Os primeiros acordes de Poetas de Karaoke originaram uma autêntica corrida para a frente do Palco Super Bock, com toda a gente os braços no ar e a cantar "dizem que cantam hip-hop, mas não dizem nada / vêm com poesia mas é só fachada [...] são poetas de karaoke, poetas de karaoke". Do disco Mechelas (2018), ouviu-se Sendo assim, um retrato autobiográfico da trajectória de Sam The Kid, que acabou por encerrar a atuação. No dia em que o festival recebe, pela primeira vez em Portugal, o coletivo Wu-Tang Clan, STK recordou que o hip-hop tuga, também, tem uma história de sucesso para contar.


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Setlist:
Entretanto (com Napoleão Mira)
A partir de agora (com Napoleão Mira)
Juventude (É mentalidade) (com NBC)
Tu não sabes (com Mundo Segundo)
Não percebes
Retrospectiva de um amor profundo
Escola da vida (com Daddy-O-Pop)
Património (com Blasph) (Tema de "VLUDO")
16/12/95
Solteiro (com Regula)
Poetas de Karaoke
Sendo assim






Foto:   Sam The Kid @Super Bock Super Rock - © Paulo Filho
Galeria:   Sam The Kid @Super Bock Super Rock - © Paulo Filho, © Diogo Pereira

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