
Era, pelo menos para os melómanos e conhecedores da indústria, um dos nomes mais esperados do dia e até desta 27ª edição do Super Bock Super Rock. 070 Shake é uma das vozes mais originais do hip hop contemporâneo. Deu nas vistas pelas suas participações em discos de Kanye West, Pusha T e Nas. Fez, ainda, a primeira parte de vários concertos dos The 1975, que amanhã sobem ao Palco Super Bock. Nos seus trabalhos a solo, a artista fala dos seus problemas, numa catarse ao serviço de cada uma das suas canções. A estreia em Portugal aconteceu no Meco, para grande contentamento de alguns dos seus fãs, que desde cedo marcavam presença na frontline, e sob o olhar atento de vários curiosos, que se juntaram na zona frontal do Palco Pull&Bear.
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A artista apresentou-se apenas na companhia de um DJ, que ia soltando os beats e lhe dava apoio, por entre as suas histórias de vivências, contadas através de uma sonoridade característica, que nos parece ser verdadeira, crua e intensa e que mistura, habitualmente, hip hop, rap e R&B moderno. Do recente You Can’t Kill Me (2022), ouviram-se Skin and Bones, Cocoon e Vibrations. Já do disco de estreia, Modus Vivendi (2020), fizeram parte do alinhamento The Pines, a muito celebrada Under the Moon, conhecida por integrar a banda sonora da série 13 Reasons Why, da Netflix, e Guilty Conscience.
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Durante a atuação, 070 Shake mostrou-se feliz por estar em Portugal pela primeira vez e pela receção de alguns elementos do público, que acompanharam todos os temas em constante agitação. Em resposta, assinou um vinil, que surgiu das mãos de um jovem, e duas setlists, que tinha em palco e que mandou entregar a esse mesmo grupo. Cerca de 40 minutos depois do início, a atuação chegava ao fim. "Muito obrigada por passarem este tempo comigo. Vocês são lindos", disse, na despedida.
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Apesar de comunicativa q.b., de se mostrar interessada no seu público e de partilhar o seu talento (que é para lá de evidente, se dúvidas houvessem), sentimos que faltou algo para tornar este momento num bom espetáculo - não foi mau, mas esperava-se melhor. Talvez num ambiente mais íntimo, que não é possível num festival deste género, as coisas tivessem corrido melhor.
Foto: 070 Shake @Super Bock Super Rock - © Francisco Cabrita
Galeria: 070 Shake @Super Bock Super Rock - © Francisco Cabrita, © Rita Duarte