
Os Franz Ferdinand são exímios na arte de entreter uma plateia. Não é por acaso que a banda é um dos maiores fenómenos indie do início do século, com uma relevância que perdura até hoje. A receita é quase sempre a mesma e não tem nada que enganar. Nem que, para isso, tenham de se socorrer dos longíquos Franz Ferdinand, editado em 2004, e You Could Have It So Much Better, lançado um ano depois, que lhes deram os maiores sucessos da carreira e que estão próximos de completar 20 anos. Alex Kapranos e o baixista Bob Hardy são, por esta altura, os únicos resistentes da formação original, depois da saída do percussionista Paul Thomson em 2021. Contudo, ao vivo, o espetáculo continua a valer cada segundo.
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Com uma plateia ainda a meio gás - era hora de jantar e a maioria dos festivaleiros veio para ver The Offspring -, os Franz Ferdinand subiram ao Palco Super Bock, numa altura em que os últimos raios de sol ainda marcavam, também, presença na Herdade do Cabeço da Flauta, no Meco. The Dark of the Matinée, do estreante disco homónimo, de 2004, deu início à atuação, enquanto No You Girls, de Tonight: Franz Ferdinand (2009) e Walk Away, do célebre You Could Have It So Much Better (2005) trataram de convencer os mais céticos, por esta altura, a um pezinho de dança. Assim foi, e, com isso, o concerto começou a ganhar ritmo, muito por culpa de Kapranos, que percorria o palco de uma ponta à outra, saltava, corria e pulava entre as plataformas que integravam o staging do palco - na verdade, o escocês é um frontman invejável para muitas bandas a quem falta um verdadeiro líder e performer.
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Por sua vez, Build It Up e Knock Knock, que deverão integrar o próximo álbum do grupo, ainda sem data anunciada, tiveram uma receção menos calorosa, talvez por desconhecimento do público, apesar de pelo meio termos recoado, novamente, a 2005 com Do You Want To a ecoar pelo recinto, com os fãs a vibrar com o refrão deste clássico, que acabou também por atrair mais gente para junto do palco. Michael (Franz Ferdinand, 2004) e Evil Eye (Right Thoughts, Right Words, Right Action, 2013) consolidaram a atuação, ainda antes do momento apoteótico, quase apocalíptico, na verdade, que se avizinhava.
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Por esta altura, e com o fim cada vez mais próximo, o modo best of foi ativado e os Franz Ferdinand começaram a soltar os seus trunfos. Darts of Pleasure (Franz Ferdinand, 2004) reavivou memórias com quase 20 anos, Love Illumination (Right Thoughts, Right Words, Right Action, 2013) e Ulysses (Tonight: Franz Ferdinand, 2009) recordaram-nos que a banda também tem êxitos de outros discos que não os primeiros e que os mesmos são iguais ou maiores do que os clássicos intemporais. A energia parecia não querer esgotar e, seguindo ligados à corrente elétrica, Kapranos e companhia deixaram o melhor para o fim, como não podia deixar de ser. Saídos do álbum de estreia (que é como quem diz, da cartola), editado há 19 anos, Outsiders e, claro, Take Me Out, que originou um mosh pit improvisado, e This Fire, com as luzes vermelhas a fazerem-se notar com intensidade, incendiaram o festival, por esta altura já mais composto, colocando toda a gente a dançar e cantarolar as letras dos refrães.
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Se há fórmulas de sucesso, Alex Kapranos e companhia sabem, melhor do que ninguém, recorrer a elas. O à-vontade com que o grupo se apresenta em palco, perante milhares de pessoas, é notório. Os êxitos de sempre podiam tornar-se aborrecidos e sem graça, dada a distância temporal desde o seu lançamento, mas parece-nos ser exatamente o oposto. A banda diverte-se como nunca e o público também não hesita em aderir à performance. Não foi bom, não foi mau: foram, simplesmente, os Franz Ferdinand ao vivo, iguais a si próprios.
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Setlist:
The Dark of the Matinée
No You Girls
Walk Away
Build It Up
Do You Want To
Knock Knock
Michael
Evil Eye
Darts of Pleasure
Love Illumination
Ulysses
Outsiders
Take Me Out
This Fire
Foto: Franz Ferdinand @Super Bock Super Rock - © Francisco Cabrita
Galeria: Franz Ferdinand @Super Bock Super Rock - © Francisco Cabrita