
Sampa The Great é um belo exemplo do que é fazer boa música de intervenção, adaptada ao século XXI, reflexo de um mundo globalizado, refletindo várias lutas, mas também várias pronúncias e sensibilidades. A artista nasceu na Zâmbia, foi criada no Botswana e desde cedo se apaixonou pelo hip-hop, graças a hits como Changes, do rapper 2Pac. A música das suas origens, a tradição hip-hop, as divagações poéticas, mais energéticas ou delicadas, a canção que se faz arma, os ecos de jazz e de soul: tudo isso faz com que o nome de Sampa seja obrigatório para quem gosta de música autêntica. Por todos estes motivos, marcamos presença no Palco Pull&Bear e assistimos a um dos espetáculos que ficará, seguramente, marcado, nos registos desta 27ª edição do Super Bock Super Rock.
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Recebida por uma multidão, a cantora fez-se acompanhar de uma banda composta por guitarrista, teclista e baterista e, ainda, de duas backing vocals. No suporte do seu microfone, foi colocada uma bandeira da Zâmbia, para recordar as origens do grupo. "Vamos levar estas memórias para mostrar aos nossos pais que este é um trabalho verdadeiro", disse Sampa, sob um coro de aplausos. O grupo, que está pela primeira vez em Portugal, foi o primeiro de origem zambiana a pisar os palcos dos festivais Glastonbury e Coachella e, também, da Opera de Sydney, recordou, ainda, a cantora. “Estamos a fazer história e vocês são parte dela”, concluiu.
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Nesta passagem pelo Meco, o espetáculo foi uma autêntica montanha russa de emoções, com música, dança e uma performance exímia, que agarrou o público do início ao fim do concerto. Sampa atravessou diferentes geografias e sonoridades, passando pelo rock, rap e trap, e apresentando, também, ritmos tradicionais tribais, que apelidou de zamrock, uma sonoridade própria da Zâmbia. Energy e Freedom foram temas que colocaram toda uma plateia, ainda no rescaldo da atuação de Wu-Tang Clan, a fervilhar de emoções. Em interação permanente com o público, a cantora recordou que "música é amor, mesmo quando não entendemos a língua em que é cantada". Em Black Girl Magik, chamou uma das coristas e apresentou-a como sua irmã, a quem dedicou a música, solicitando à audiência que ligasse as lanternas dos telemóveis, para iluminar o seu caminho.
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Sem grande dificuldades, a atuação acabou por captar mais e mais público em redor do Palco Pull&Bear. Depois de interpretar Mawana, saido do disco de estreia, The Return (2019), à semelhança dos temas iniciais, Sampa apresentou Tilibobo e Let Me Be Great, que resulta da parceria com Angélique Kidjo, do mais recente As Above, So Below (2022). Após uma saída de palco, numa espécie de falso alarme, o grupo voltou para tocar Final Form, o segundo single do seu primeiro álbum, que todos esperavam. Antes de abandonar o palco, a artista assegurou que "esta não será a nossa última vez em Portugal". Sem rodeios, nós concordamos. Em boa verdade, depois disto, será o público a exigir o regresso de Sampa The Great a território nacional, após esta hora mágica de música, verdade e amor.
Foto: Sampa The Great @Super Bock Super Rock - © Paulo Filho
Galeria: Sampa The Great @Super Bock Super Rock - © Paulo Filho, © JF