palcosecundario - 09/06/2026, 12:30

Serpa abre, hoje, as portas à 1ª edição do FIS – Festival Ibérico de Serpa, um encontro cultural que, até 13 de junho, transforma o centro histórico da cidade num palco vivo dedicado a três patrimónios imateriais profundamente enraizados na Península Ibérica: o Cante, o Fado e o Flamenco. O evento, promovido pelo Município de Serpa, pretende reforçar as ligações históricas, geográficas e emocionais entre o Alentejo e a Andaluzia, celebrando expressões artísticas que, embora distintas, partilham uma identidade comum. Ao longo de cinco dias, o público poderá assistir a quinze espetáculos e performances, distribuídos por vários palcos no centro da cidade. A entrada é livre.
Um dos grandes destaques desta edição inaugural são os espetáculos de fusão criados especialmente para o festival, reunindo artistas de diferentes universos musicais. O fadista Ricardo Ribeiro e o músico Diogo Clemente juntam-se a grupos corais do concelho e a intérpretes de flamenco, num diálogo artístico que promete momentos únicos. Entre os nomes presentes no cartaz encontram-se, ainda, Inês Gonçalves, Bandidos do Cante & Camponeses de Pias, António Caixeiro, Argentina Flamenco, Oh Serpa de Guadalupe, Adiafa, a Banda Sinfónica da GNR, o Grupo Coral da Casa do Povo de Serpa, Buba Espinho, Rão Kyao e Miguel Araújo.
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O festival presta também tributo à Família Torrão — Zeca (a título póstumo), Francisco e Armando — figuras centrais do Cante Alentejano. Durante décadas, estes três nomes estiveram ligados à evolução estética e emocional dos grupos corais do concelho de Serpa, contribuindo com ensaios rigorosos, composições originais e letras que se tornaram parte da memória coletiva. As suas obras, como Glebes, Mondadeiras ou Roubei-te um Beijo, não são apenas canções: são retratos vivos da ruralidade alentejana, da dureza do trabalho no campo, da solidariedade entre trabalhadores e da poesia simples que nasce da vida quotidiana.
Mais do que um evento musical, o FIS – Festival Ibérico de Serpa afirma-se como um ponto de encontro entre culturas, promovendo o convívio e o orgulho identitário das comunidades dos dois lados da fronteira. O público é convidado a percorrer o centro histórico, descobrir os três palcos do festival e mergulhar na riqueza patrimonial e humana do concelho. A música surge, desta forma, como extensão natural da vida comunitária, onde o Cante ecoa das vozes dos grupos locais, o Fado traz a melancolia urbana e o Flamenco acrescenta intensidade e movimento — três expressões que, juntas, criam uma identidade ibérica partilhada.
Foto: FIS – Festival Ibérico de Serpa