palcosecundario - 02/12/2025, 14:45

O Sonic Blast Fest volta a trazer os riffs para mais um passeio ao sol em 2026 – a 14ª edição do festival retorna à Praia da Duna dos Caldeirões, em Âncora, de 06 a 08 de agosto. O habitual warm up tem lugar no dia 5. De uma só vez, a promotora Garboyl Lives, organizadora do evento, anunciou 22 nomes para a programação do próximo ano. Num espectro musical e estilístico ainda mais variado do que o costume, a lista completa conta com: Turbonegro, High on Fire, Deafheaven, Chat Pile, Midnight, Levitation Room, Elder, Snapped Ankles, Dead Meadow, The Casualties, Kylesa, N8noface, Adult, Conan, Necrot, Early Moods, Margarita Witch Cult, Primitive Ring, Hög, Goya, Ungraven e Frankie and The Witch Fingers.
Os lendários Turbonegro são inevitavelmente o nome mais incontornável do cartaz, e regressam finalmente a Portugal ao fim de muitos anos de ausência – será aliás a primeira visita com Tony Sylvester, aka Duke of Nothing, no posto de vocalista – para incendiar o Sonic Blast Fest com a sua mistura inconfundível de punk, hard rock e irreverência total. Pioneiros do deathpunk, os noruegueses continuam a ser uma força viva e imprevisível, capazes de transformar qualquer concerto numa celebração caótica de guitarradas pegajosas, humor negro e energia desmedida. Com uma carreira que já conta mais de três décadas e clássicos como Ass Cobra, Apocalypse Dudes ou Scandinavian Leather, a banda promete uma atuação explosiva, onde o rock é vivido com o seu intuito verdadeiro e original, provocador, gingão e intenso, numa mistura que os Turbonegro sabem conjugar como ninguém.
Já os titânicos High on Fire, liderados, como sempre, pela imponente figura de Matt Pike, regressam ao festival com o seu som massivo, forjado entre o stoner, sludge e thrash. A banda norte-americana vai trazer na bagagem os seus riffs gigantescos, ritmos devastadores e aqueles arabescos de influência turca que cada vez são mais importantes no seu som. Desde os primeiros registos, como The Art of Self Defense, onde o peso cru e quase subterrâneo definia a estética inicial, até álbuns mais ambiciosos como Death Is This Communion ou Snakes for the Divine, o grupo foi expandindo o seu universo musical com influências épicas, ritmos acelerados e uma abordagem cada vez mais técnica. O culminar desta trajetória surge com Electric Messiah, um trabalho que combina agressividade, precisão e maturidade artística, valendo à banda um Grammy e consolidando o seu estatuto como referência absoluta do metal pesado moderno.
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Os Deafheaven são uma estreia no Sonic Blast Fest, com a sua inconfundível mistura de shoegaze, black metal e post-rock — um som expansivo e emotivo que sempre desafiou rótulos e fronteiras. Desde o polémico, mas simultaneamente aclamado, Sunbather (2013), a banda californiana afirmou-se como uma das mais singulares da sua geração, unindo brutalidade e beleza em partes iguais. Para baralhar ainda mais as contas, o seu mais recente álbum Lonely People With Power é o mais negro e feroz que fizeram desde a primeira demo, sem exagero, pelo que os Deafheaven prometem um dos concertos mais arrebatadores mas também mais imprevisíveis desta edição.
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Os Chat Pile chegam ao festival para trazer o caos sonoro e emocional que os tornou numa das bandas mais desconcertantes e fascinantes da cena alternativa norte-americana. Vindos de Oklahoma, o quarteto pincela o seu invulgar noise rock com um realismo cru nas letras, pintando retratos sombrios da vida moderna com uma intensidade quase cinematográfica. O seu álbum God’s Country (2022) fez deles um destaque instantâneo no underground e foi um dos mais aclamados da cena de peso dos últimos anos, pela forma como combina violência sonora e vulnerabilidade humana.
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O Sonic Blast Fest nunca deixará de ser um território onde não só o peso e o psicadelismo, mas também a liberdade musical, convivem em perfeita harmonia, e os restantes nomes deste primeiro anúncio demonstram-no amplamente. Do black rock’n’roll envenenado e blasfemo dos impiedosos Midnight, que vêm festejar o 15º aniversário do álbum Satanic Royalty; à brisa psicadélica e soalheira dos Levitation Room, passando pelos monumentais riffs dos habitués Elder e pela pulsação tribal e alienígena dos Snapped Ankles, o cartaz volta a demonstrar que a diversidade sonora é uma das grandes forças do festival.
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Os eternos Dead Meadow vão guiar o público por autênticas viagens de transe, enquanto que os veteranos The Casualties pegam no testemunho deixado pelos Circle Jerks, em 2025, e trazem o espírito anárquico do punk clássico. Já os regressados Kylesa, reativados, em 2024, com o núcleo duro Philip Cope/Laura Pleasants acompanhado pela mítica secção rítmica dos Nausea, John John e Roy Mayorga, prometem uma descarga hipnótica no festival. Pelo caminho, surgem nomes que exploram margens mais obscuras e inesperadas — como o punk eletrónico e visceral de N8noface, ou a electrónica fria e sedutora dos Adult., ambos prontos para agitar o areal de forma diferente.
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E porque o peso continua a ser a parte fundamental do ADN do Sonic Blast, no resto do anúncio há mais barulheira para todos os gostos e dimensões: o doom colossal dos Conan (de regresso ao festival ao fim de quatro anos) e o death metal old school dos Necrot vão fazer as delícias dos fãs do metal, enquanto os Early Moods e Margarita Witch Cult mantêm viva a chama do heavy setentista com groove e fuzz de sobra. Mais abaixo na distorção, nomes como Primitive Ring, Hög e Goya trazem novas perspetivas da cena stoner e doom underground, provando que o espírito do riff continua bem vivo. E para fechar o círculo psicadélico, ainda há nomes como Ungraven ou Frankie and The Witch Fingers, num alinhamento inicial que, mais uma vez, confirma o Sonic Blast Fest como um dos festivais mais vibrantes, imprevisíveis e apaixonados do género no circuito europeu.
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Os passes gerais para o Sonic Blast Fest 2026 estão disponíveis, neste momento, por 100€, na plataforma BOL, sendo que os bilhetes em modalidade early bird já se encontram esgotados. A edição de 2025 esgotou todos os tipos de passes (gerais e diários), contando assim com mais de 16.500 pessoas no recinto ao longo dos três dias de festival, segundo dados da organização. A estes números juntam-se perto de 3.000 entradas no dia de warm up e de receção aos fãs.
Foto: Facebook @sonicblastfest