palcosecundario - 02/06/2026, 15:30

O Indie Music Fest abre, pela primeira vez, o cartaz a projetos internacionais com duas estreias absolutas em solo português - Lézard e Soma Please. As novas confirmações, juntam-se, ainda, os portugueses Expresso Transatlântico, Xtinto, IBSXJAUR, Bardino, Elias, Ben&G, The Green Bin e Tendency, que celebram a missão primordial do festival de dar voz à música independente portuguesa. O anúncio foi feito, hoje, pela organização, em nota enviada à imprensa.
Lézard atuam pela primeira vez em Portugal, numa altura em que conquistam cada vez mais fãs pelas suas atuações explosivas, um pouco por toda a Europa. Entre post-punk, disco, glam rock, new wave e electro-clash, a banda belga traz o álbum de estreia, Que Se Passe-t-il, num universo tão caótico quanto dançável. Lézard emergem da cena alternativa belga com uma abordagem teatral e exuberante. As suas canções funcionam como pequenas narrativas dramáticas, onde convivem corações partidos, voyeurs, sonhadores e figuras decadentes, tudo iluminado por uma bola de espelhos estilhaçada — uma metáfora usada pela própria banda para descrever o seu primeiro disco.
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Soma Please trazem ao festival os seus sintetizadores etéreos e ritmos pulsantes. A dupla luso-britânica acaba de editar o novo single I’m a Fan, que conta com a participação de Julien Barbagallo, baterista dos Tame Impala. O duo ganhou visibilidade com o single Pockets On My Sleeves, que se estreou na BBC Radio e entrou no Top 10, da Antena 3, em 2025. Em 2026, lançaram o seu primeiro EP, ballet, um trabalho que explora contrastes entre leveza e ruído, com canções “mais sujas do que o próprio ballet”, como descrevem, e que revela uma forte vontade de experimentar texturas, synths e dinâmicas sonoras, que cruzam eletrónica, indie pop e guitarras old‑school num registo versátil e espontâneo.
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Os Expresso Transatlântico são um trio lisboeta — Gaspar Varela, Sebastião Varela e Rafael Matos — que tem vindo a afirmar‑se como uma das bandas mais vibrantes da nova música portuguesa, cruzando tradição nacional (com destaque para a guitarra portuguesa) com sonoridades globais contemporâneas como rock, blues, funaná ou samba. O grupo ganhou projeção com o álbum de estreia Ressaca Bailada (2023), distinguido pela imprensa como um dos melhores discos nacionais do ano, e consolidou o seu percurso com o segundo longa-duração, Trópico Paranóia (2026), que inclui os singles Nikita Punk, Avalanche e Flor Trovão. O trio tem conquistado público e crítica graças a uma estética que retrata uma Lisboa cosmopolita, onde convivem raízes tradicionais e influências globais, sempre com uma energia ao vivo que se tornou marca da banda.
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Xtinto é um dos nomes mais singulares da nova vaga da música urbana portuguesa, combinando hip‑hop contemporâneo, escrita meticulosa e um forte sentido visual. O artista destacou‑se pela capacidade de criar imagens poéticas e narrativas introspectivas, explorando temas como identidade, fragilidade e memória. Depois de Latência, editado em 2023, regressa, em 2026, com o disco Em sonhos, é sabido, não se morre, um projeto mais maduro e cinematográfico, onde o artista reforça a sua estética emocionalmente transparente e a fusão entre hip‑hop, pop alternativa e experimentação sonora.
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IBSXJAUR é um duo formado pela cantautora pop JAUR e pelo produtor de eletrónica INFRABASSESATURE, nascido de um encontro improvável numa free party em Paris. A sua música funde techno, drum and bass e pop crua, criando uma estética intensa e underground que rapidamente chamou a atenção do circuito alternativo português. Depois de três EPs, lançaram, em 2025, o álbum SANITY, uma obra que mistura drum and bass, techno e hyperpop para explorar temas como ansiedade, depressão, identidade e a pressão do mundo moderno. Com sintetizadores agressivos, baixos densos e uma abordagem visual inspirada na cultura das free parties e na ética DIY, IBSXJAUR afirmam‑se como uma das forças mais vibrantes e inovadoras da nova eletrónica portuguesa.
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O trio portuense Bardino, composto por Diogo Silva, Nuno Fulgêncio e Rui Martins, aposta na fusão inventiva de eletrónica, rock, jazz e elementos experimentais, criando uma sonoridade que frequentemente é descrita com termos como krautrock, fusion jazz ou ambient electronica. A banda tem explorado uma estética profundamente cinemática e paisagística, inspirada tanto pela geologia portuguesa como pela ideia de memória coletiva, temática central do álbum Memória da Pedra Mãe (2024), onde refletem a tensão entre passado, presente e futuro. Gravado no verão de 2023, nos Arda Recorders, o disco expande o universo do trio com colaborações de músicos como Brian Blaker, Minus & MRDolly, Azar Azar e Leonardo Outeiro, reforçando a ambição exploratória de uma banda que continua a empurrar os limites do jazz contemporâneo em Portugal.
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Elias move-se entre a pop, o rock e o folk, compondo canções em português marcadas por uma escrita sensível e imagética. O seu álbum de estreia, Talvez Queiras Ficar (2016), produzido por Nuno Mendes — conhecido pelo trabalho com Best Youth e Salto —, revelou um artista com forte capacidade melódica e uma abordagem criativa que combina poesia, surpresa e um cuidado especial na interpretação. Entre temas já conhecidos, como Cientista Profissional ou Quem te disse?, o músico portuense afirma‑se como uma voz distinta da nova música portuguesa, capaz de unir intimidade e ambição sonora.
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Rúben Pérola (ben) e Manuel Gonçalves (Manel G) são ben&G, uma dupla em ascenção, do Grande Porto, que rapidamente encontrou um território comum entre a pop e o hip‑hop, marcado por teatralidade, energia kitsch contemporânea e letras que ampliam episódios do quotidiano. O projeto nasceu em 2024 num writing camp, da editora Pluma, e evoluiu para uma parceria criativa sólida, culminando no álbum de estreia Sem Pressão (2025), apresentado como um retrato honesto da cumplicidade artística entre ambos. O disco reúne temas como Antídoto, Sara, Introspectiva Pt. 1 e Kryptonite, que revelam a dualidade da dupla entre celebração, introspeção e crítica cultural, consolidando ben&G como uma das propostas mais frescas no panorama nacional.
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The Green Bin é uma banda emergente que se distingue pela fusão de indie rock, garage pop e uma estética lo‑fi marcada por guitarras luminosas e melodias despreocupadas. O grupo aposta numa energia juvenil e irreverente, com canções que soam a verão eterno, ruas ensolaradas e amizades barulhentas. A sua música combina refrões imediatos com uma produção crua e caseira, criando um universo sonoro que tanto evoca nostalgia como frescura contemporânea. Em palco, The Green Bin afirmam‑se pela entrega descontraída e pela proximidade com o público.
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Movendo-se entre o indie rock, o post‑punk e a pop alternativa, Tendency é uma jovem banda portuguesa que cria canções marcadas por guitarras vibrantes, ritmos acelerados e uma energia juvenil que transparece tanto em estúdio como ao vivo. O grupo destaca‑se pela forma como combina melodias imediatas com uma atitude crua e despreocupada, evocando a estética das garagens modernas e da cena DIY. As letras, frequentemente centradas em inquietações da vida adulta precoce, relações e desajustes quotidianos, reforçam a identidade de uma banda que procura afirmar‑se pela autenticidade e pela intensidade emocional das suas composições.
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O Indie Music Fest volta a colocar Baltar, Paredes, no epicentro da música independentede, nos dias 3, 4 e 5 de setembro. A organização já havia anunciado no cartaz Beatriz Pessoa, Ela Jaguar, Evols, Femme Falafel, Jepards, Nunca Mates o Mandarim, Rapaz Ego, Them Flying Monkeys, Vaiapraia e Warout. Outra das novidades, já divulgadas, é a abertura do festival, a 3 de setembro, num dia dedicado ao projeto Indie Talents e com entrada totalmente gratuita. Os bilhetes podem ser adquiridos na plataforma BOL e nos locais habituais. O passe geral com campismo está disponível por 30€ até 2 de setembro. A partir dessa data, e durante o festival, custa 40€.
Foto: Facebook @lezardband, Instagram @somaplease - © @emiliaemilia__